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                                               MENTE DO TORMENTO.

Por: Mauricio Ado de Sousa.

Rio em algum lugar no Méier...

Hiper de pé sem máscara  — Então? O que quer comigo, Zé da Gota?

Zé da Gota encostado num carro, despreocupado, num tom lento fala — Tem um cara que te procurou dizendo que tem umas dicas, ele tá na Rua Novo Rio!

Hiper já entrando no carro negro — Zé se for algo caô eu te pego...

O carro negro corre veloz, Hiper parece querer vigiar todos os cantos à noite. Pelo rádio amador na freqüência da polícia pode-se escutar:

“atenção efetivo vimos o carro negro com a placa do carro particular do governador indo em direção ao Méier, possibilidade de ser o vigilante.”

Hiper acelera mais o carro negro, como alguém que nada teme, nada o estremece.

Hiper, pensando: “Essa idéia de por o número do carro particular do governador foi a melhor que os meus camaradas já me deram...Afronta a aquele incompetente!”

Na rua Novo Rio, num bairro longe do centro.

            O carro negro chega, rua fechada, ele entra de ré pronto para sair se algo der errado. Deixa o carro a dois metros da via principal, no fundo da rua um homem em pé esperando.

O homem de calça jeans, aparentando cinqüenta anos — Obrigado por ter vindo!

Hiper se aproxima com cautela — Fale!

O homem pondo o rosto na  luz da rua onde Hiper pode ver com mais nitidez — Certo! você devia ir ver sua mãe...Mathilda tem que sentir sua presença, garoto!


Hiper    Quem é você homem? Quem disse que tenho uma mãe chamada Mathilda, hein porco! Trabalha para quem?

O homem mãos abaixadas — você acaba de confirmar garoto!

Hiper — você fala demais...

            O Hiper tenta soca-lo, mas o homem pula, uma altura de dez metros.

Hiper — você pode fazer o que eu faço!

            Hiper pula atrás os dois vão parar num terreno baldio.

O homem friamente proclama — Eles vão querer te caçar, garoto!

Nisso Hiper pula sobre o homem e o tenta levantar, este o empurra com tanta força que ele vai parar longe. Hiper fica mais espantado ainda com essa força.

Hiper, exaltado — Vagabundo vamos ver se agüenta....Vamos ver!

            Vários socos são dados, o homem se desvia da maioria, um dos golpes de Hiper derruba um muro, outro é impedido pelo homem no ato deste segurar o soco do Hiper.

O homem — Lamento te interromper rapaz! Em algum tempo você será o orgulho de todos mas a  melhor coisa que podemos fazer agora é você ir visitar sua mãe e eu ir embora!

            O homem dá as costas para o Hiper sem se preocupar com a ação dele.

O Hiper fala — Ótimo! Um cara maluco aparece querendo falar o que devo fazer!

O homem — Você está soturno demais garoto! Devemos deixar quem amamos distantes?

O Hiper — Vou precisar que você responda uma pergunta!

            O homem fica imóvel, de costas para Hiper.

O homem responde — Não dessa vez! Quando você precisar, saiba que eu vou aparecer!

Hiper corre para cima do homem, que foge num pula espetacular. Hiper pula mais não consegue alcançar, o homem parece ser mais poderoso do que ele é.

Hiper olhando para o céu — Eu vou te procurar esteja certo, Pai!

            Na cena seguinte Hiper já está dentro do seu carro negro.

Hiper, pensando: “...Ele deve ser mesmo o meu pai...Mesmo poderes, a idade parece bater e conhece a minha vida, minha mãe...Só pode ser!”

Numa casa qualquer.

Uma arma é disparada e um corpo vai ao chão, piso frio de concreto liso, o homem idoso está no centro de uma poça de sangue. Em pé a mulher de cabelos loiros.

Maquiavelle — Bom tenho mais um pecado a prestar contas com Deus!



O homem idoso está morto. Maquiavelle coloca o dedo no sangue e escreve na parede:

“Ninguém pode te ajudar!”

Hiper já tinha voltado para ONG quando encontra na rua vários carros de polícia, ele decide por estacionar cinco ruas depois. Ele troca de roupa e vai para o prédio sede da ONG.

            Todos os policiais estão na frente do prédio, ele é reconhecido pela faxineira, deixam o entrar. Ë quando Hiper vê o cadáver de Pedro Gross e o que foi escrito na parede.

Um policial se aproxima — Bem...Senhor Diego, não é? Vamos pegar quem fez isso com o senhor Gross, com certeza não foi assalto...Deve ser um desses malucos que anda por ai hoje em dia! Aquilo não é tinta é o sangue do...Bem...Vamos pegar quem fez isso!

            Hiper se afasta vai para o seu carro escondido, a raiva nos olhos...

Hiper entra no carro e pensa alto — Eu vou pegar...Essa polícia não faz nada! Eu vou agir...

            O carro para numa esquina, Hiper abre a porta e puxa para dentro o Zé da Gota!

Hiper com muita força puxando para dentro o homem — Entra!

Zé da Gota assustado por ter sido puxado como uma folha de papel — O que há, cara?

Hiper nervoso — Aquele cara mandou você me levar para longe por que?

Zé da Gota temeroso com o transtorno de Hiper — Ele apareceu, me deu uma grana e mandou te dizer aquilo pra você só isso...

Hiper — Ele pode estar envolvido na morte de Pedro Gross do Viva Vida!

            Zé da Gota não entende bem de quem fala o Hiper.

Hiper nem repara que Zé não entendeu de quem se trata — Zé da Gota? Sabe de algo?

Zé da Gota coça a cabeça e responde — Espera dois dias e me encontra na casa 5por5!

            Ele deixa o homem numa esquina e vai embora.

            Ruas, mas ruas, o carro negro segue até uma casa velha na zona norte, ele guarda o veículo. A madrugada é passada no velório de Pedro Gross, ao lado do caixão.

Outro dia. Casa de Saúde João Bispo dos Santos.

            O Hiper encontra sua mãe sentada numa cadeira na área verde da casa de saúde, uma cadeira debaixo de uma mangueira, com copa gigantesca. Mathilda, sua mãe o reconhece e anda até o seu filho, ela o abraça com tanto amor que ele mesmo fica intrigado.

Mathilda o olha, com sorriso largo — Filho, você está bem! Obrigado Deus por guardar meu filho! O que aquela mulher falou não era verdade...Deus guardou meu filho!

            O Hiper surpreso com a fala da mãe ele não compreende direito.


O Hiper — Como assim? Que moça?

Mathilda ainda agarrada ao filho — A moça de cabelos loiros, branquinha!

O Hiper — Como ela...

Mathilda falando pausadamente — Ela apareceu pra mim dizendo que NINGUEM PODE AJUDAR SEU FILHO...E depois eu sonhei que um homem era morto  com um tiro, um senhor...E ela escrevia na parede: “NINGUÉM PODE TE AJUDAR”.

O Hiper fica surpreso ainda mais, pensa consigo: “Quem será que disse para ela sobre a morte do Pedro Gross?”

O Hiper — Não foi alguém que te contou essa história não mãe?

Mathilda olhando para baixo como se mais uma vez alguém desconfiasse do que ela fala abraça mais forte o filho.

Mathilda — Não meu filho, eu sonhei...A moça de roupa branca e cabelo loiro falou isso...

O Hiper — Quando foi isso mãe?

Mathilda — Ontem à noite!

O Hiper — Essa moça falou algum nome?

Mathilda — MAQUIAVELLE!

            Hiper abraça sua mãe, não foi para isso que veio até aqui mas parece que as peças começam a se encaixar. Antes de deixar a casa de saúde ele passa pela administração.

O Hiper — Senhor, alguém esteve visitando minha mãe, o nome dela é Mathilda!

O senhor — Sei que é sua mãe, não ninguém esteve visitando sua mãe, não!

O Hiper — Ela disse que uma moça esteve falando com ela ontem

O senhor então relembra — Ah! Ontem ela acordou todos gritando sobre uma mulher que falava que ia matar o filho...Desculpe, só mais um surto de sua mãe!

Hiper sai com dúvidas da instituição, na rua o céu é nublado dando um ar mais denso as suas preocupações. Ele anda um bom pedaço da calçada pensando sobre tudo.

Hiper pensando nas ultimas palavras de sua mãe: “Cuidado com essa moça filho!”

Hiper falando em voz alta — Bem eu vou tomar cuidado!

            As pessoas que passam por ele não entendem nada. A cena vista do outro lado da rua é de um rapaz andando, entre pessoas, carros às vezes passando a frente da cena. Mal sabe Hiper que um homem de aparentes cinqüenta anos está vendo esta imagem do outro lado da rua.

Lugar longe dali...Longe...

Zé da Gota engole em seco, começa a suar muito, o temor estampado na face.

Zé da Gota — Eu não vou falar nada para ele sobre você dona Maquiavelle!

Maquiavelle — Errado! Talvez você possa me ajudar a dar uma mensagem ao Hiper!

Zé da Gota — Mas como? Esse cara vai ficar...

Maquiavelle — Pode se jogar desse andar lá no chão! Entendeu dedo duro???

Zé da Gota — Desculpe senhora mas hoje não, obrigado!

            Maquiavelle fecha os olhos e entra na mente do Zé da Gota, tirando da realidade, ele não sabe que está caminhando para a beirada da janela, aliás na verdade um buraco na parede.

Maquiavelle por telepatia: “Vamos ande Zé da Gota”

            O corpo cai no asfalto da rua deserta, lá do quarto andar Maquiavelle comanda.

Maquiavelle — Agora vamos assinar a obra...

            A mão do Zé da Gota se movimenta sozinho, com o sangue escreve:

“Ninguém pode te ajudar”.

            Hiper vai até a casa 5por5 uma casa de strip-tease que Zé da Gota freqüenta. Dois dias inteiros se passaram, o carro negro para a duzentos metros de distância  e lentamente vai se aproximando da entrada da  casa, onde um leão de chácara reconhece o Hiper.

O Hiper pela janela do carro — Oi Tito, cadê o Zé da Gota?

Tito, o leão de chácara da casa — Ele apareceu morto lá para os lados de Santo Cristo!

O Hiper — Entra aí, só um minuto!

            Tito entra no carro, uma vez o Hiper o ergueu com um braço só desde então...

Tito — Encontraram o corpo no asfalto,foi lá na rua 21, parece que jogaram ele de um prédio, o engraçado é que alguém depois escreveu: “Ninguém pode te ajudar!”.

Hiper em ato reflexo fala — Maquiavelle!

Tito — Que Hiper?

Hiper — Obrigado Tito! Obrigado pela informação Tito, não fala com ninguém que me contou se não vai sobrar pra cima de ti, entendeu?

Tito — Tá legal!

Momentos depois, Bairro de Santo Cristo, Rua 21.

            O carro negro pára enfrente ao edifício com manchas vermelhas na calçada.

            Uma gargalhada se faz ouvir em meio à selva de edifícios abandonados daquela rua. Logo após ele colocar os pés no asfalto.

Uma voz que parece vir de todos os lugares —..Procurando alguém justiceiro?

O Hiper andando devagar — Maquiavelle?

Passos dados devagar, indo para a porta do prédio

A voz de Maquivelle por todos os lados — Você vai pagar por tentar me mandar pra cadeia!

Hiper anda refletindo: “Deve estar no alto desses prédios...”

A voz de Maquiavelle — Não estou no alto dos prédios não! Estou dentro da sua cabeça, essa voz ninguém pode ouvir só você, eu sei tudo sobre você, sobre sua ONG mequetrefe, sobre sua mãe, sobre a história de você ser filho de ET, todas as coisas que você pensa...

            Hiper decide encostar então numa caçamba de escombros, cruza os braços fica lá parado observando, ratos começam a correr de dentro da caçamba. Os ratos fogem.

            Pedaços de construções quebram no nas costas de Hiper, só se ouve as pedras baterem contra ele, três pedaços até que começa a revidar.

Maquiavelle, surgindo na calçada — Hiper?

            Ela lê na mente dele: “Isso irá me beneficiar...” mas só consegue isso...

Maquiavelle movimentando as sobrancelhas — Como isso vai te beneficiar...Como está escondendo o resto da informação?

            Maquiavelle olhando fixamente para ele faz com que o carro negro ligue o motor, o carro vai para cima dele. Hiper sem pensar agarra o pára-lamas do carro e o levanta do asfalto.

Hiper o atira sobre Maquiavelle, e olha fixamente para o carro levitando-o.

            Hiper dá um passo atrás e puxa de uma arma, sem pensar dispara contra ela. A Maquiavelle começa a tontear, deixando cair o carro negro, ela acaba com a cara no piso.

Hiper se aproximando — Sedativo! Não foi um tiro, foi sedada com uma dose para dez elefantes...Nem você pode com isso...Bye, Bye Maquiavelle!

                                                                


   O Hiper coloca o corpo da mulher nos ombros e vai para o carro negro.

O Hiper verificando se o carro liga — Tomara que não tenha quebrado o meu carro.

CARRO

            O motor liga e o carro negro atravessa as ruas em direção à delegacia da Polícia Federal na Praça Mauá. Ele entra carregando a mulher querendo falar com o delegado.

O Hiper — Meu nome é Hiper e esta é a fugitiva Maquiavelle! Ela tem poderes mentais...Acredite se não...Vai por mim...Vão ter que sedá-la o tempo todo...Acreditem...

            Policiais federais se aproximam dos dois... Surge um delegado.

Delegado — O que..Onde quer chegar com isso?

Hiper — Revelar minha identidade, dizer o que faço Delegado!


FIM.

 
 
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